Olho Mágico - Vol. 8 - Nº 2 mai./ago.2001
INTERAGINDO

Errata

Publicamos, no v.8, n.1, jan/abr.2001, a poesia “Relação médico/paciente”, de autoria de Tatiana Telles e Koeler, e co-autoria de Ricardo Daniel Santos Duarte Silva, ambos alunos do 2º ano de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pouso Alegre/MG. Acrescentamos que a Profa. Dênia Amélia Novato, docente daquela Instituição, foi orientadora dos alunos na elaboração do trabalho em questão.

Próximo número

O tema da Revista Olho Mágico referente ao período de setembro/dezembro 2001 será “Gestão como ferramenta de mudanças institucionais”.

Web Sites

A partir deste número, estamos publicando, na seção “Leitura”, indicações de Web Sites de interesse das Áreas de Saúde e Educação, ou de interesse geral. Envie sua sugestão.

Numeração

A numeração da Revista Olho Mágico mudou, desde o número anterior. Adequamos a numeração às normas da ABNT.

Crônica

Isaias Dichi
Médico e Minéfilo
dichi@sercomtel.com.br

GLADIADOR

QUANDO RIDLEY SCOTT ACERTA A MÃO

Gladiador (2000) é um grande espetáculo. Usando como referências o relacionamento entre Judá e Messala em Ben-Hur e a rebelião do escravo contra o Império Romano em Spartacus, Ridley Scott constrói mais um épico imperdível. O fato de estar quase à altura dos citados não é nenhum demérito. Afinal, Ben-Hur (1959) de William Wyler é o filme com maior número de Oscars conquistados enquanto Spartacus (1960) de Stanley Kubrick é o melhor filme político de todos os tempos.

A fidelidade do General Maximus (o futuro gladiador) a Marcus Aurélius – considerado pelos historiadores como o mais justo dos imperadores romanos – não se transfere ao seu tirânico filho Commodus. A partir daí, acompanhamos a sua saga nas arenas até o embate final com o próprio tirano. O filme tem inúmeras qualidades :cenografia (com destaque para a reconstituição do Coliseu), fotografia, som, etc, mas a maior delas foi muito bem definida pelos críticos franceses (sempre eles): o perfeito equilíbrio entre ação e contemplação.

Russell Crowe, após O Informante, mais uma vez tem grande performance, assim como Joaquin Phoenix e Oliver Reed (que faleceu antes de terminada as filmagens) e especialmente Richard Harris, que confere grande dignidade ao Imperador Marcus Aurélius.

Diretor inglês de estilo refinado, Ridley Scott aproveita seu profundo conhecimento de desenho e pintura para dotar seus filmes com apurado requinte visual (Os Duelistas, 1977, Perigo na Noite, 1987). Quando, então, tem à mão um bom roteiro consegue fazer alguns dos filmes mais marcantes e referenciados do século passado: o gótico Allien (1979) – metáfora de horror que insinua que muitas vezes o pior pode estar dentro de nós, o neo-noir humanista Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982) e o road-movie feminista Thelma & Louise (1991).

Gladiador recebeu merecidamente o Oscar de melhor filme e Russel Crowe (em difícil disputa com Tom Hanks em Náufrago) de melhor ator. Entretanto não seria ainda desta vez que Ridley Scott obteria sua merecida estatueta (o vencedor foi Ang Lee por O Tigre e o Dragão), talvez por ser muito lembrado por algumas barbaridades que ocasionalmente perpetra, como Até o Limite da Honra (1997) com Demi Moore. Mas, quando Ridley Scott acerta a mão...