Olho Mágico - Vol. 8 - Nº 2 mai./ago.2001
EXPRESSÃO

 Uma casa sobre rodas

            Pode-se dizer que o professor Antônio Fernando Brunetto, do Departamento de Fisioterapia, já teve o raríssimo privilégio de acordar, olhar pela janela de seu quarto e ver o mar... o mar catarinense, paranaense, fluminense, capixaba, baiano, pernambucano, potiguar e cearense. Tudo isso de dentro de casa. Ou quase.

            Brunetto é um dos cerca de 150 “estradeiros” do Paraná – pessoas que possuem um motorhome, uma espécie de “casa sobre rodas”. Com o motorhome, o professor e sua família já conheceram toda a costa brasileira, do Rio Grande do Sul ao Ceará, entre outros lugares. São mais de 500 praias, segundo ele.

            O motorhome é mesmo uma casa sobre rodas. A do professor tem quarto com beliche, suíte, chuveiro e aquecimento central a gás, ar condicionado. A cozinha tem freezer, forno de microondas, geladeira, pia, fogão, máquina de lavar pratos. E a área de serviço tem lava-roupas, secadora e um depósito. A sala de estar de estar tem TV e aparelho de som. Para ele, é o mesmo que estar em casa, com a vantagem de poder levar esta casa para onde quiser.

            O professor possui o veículo desde 1996 e foi um dos primeiros em Londrina. Atualmente há 10, que formam o Grupo Pé Vermelho. Viajam juntos, realizam encontros em campings, promovem festas. Em maio passado, cerca de 130 proprietários de motorhomes se reuniram em Jataizinho, na região norte do Paraná. Um encontro com muita festa, mas que pouca gente ficou sabendo. Não há muitos no Brasil. O modelo mais simples de motorhome custa em torno de 60 mil reais. E um detalhe interessante é que cada veículo tem a marca de seu proprietário – é personalizado. Mas se sabe que há proprietários de motorhomes em Curitiba, São Paulo, Vitória e Porto Alegre.

            No Paraná, o grupo de estradeiros existe há 10 anos. Segundo Brunetto, há um forte sentimento de coleguismo entre os estradeiros, que gostam de se encontrar pelas estradas ou nas cidades. Para chegar até esta prática, o professor acumulou um “currículo” de aventuras. Começou como barraqueiro, depois teve um trailer, e aí passou para o motorhome. Muita gente ainda usa o trailer, de acordo com o professor.

            Como às vezes o motorhome não consegue trafegar por todo tipo de lugar, muitas vezes o professor reboca seu carro. Assim, tem uma opção a mais de passeio. Entre as dificuldades da viagem com motorhome, está, segundo Brunetto, o Código Brasileiro de Trânsito, que equivaleu trailers e motorhomes a carretas, exigindo a carteira tipo E. O grande número de postos de pedágio nas estradas também onera a viagem. Além disso, o professor diz que a infra-estrutura turística do país não está preparada para o motorhome: há lugares inacessíveis, poucas áreas destinadas a estacionamento do veículo e poucos postos de combustíveis preparados para todas as necessidades do motorhome.

            Apesar disso, Brunetto não pára. Ele e seus colegas têm uma agenda anual de festas e encontros. E cada feriadão é uma oportunidade para viajar. O lugar que o professor mais visitou com o motorhome foi a Bahia – sete vezes. Segundo ele, a viagem rende. “Ando 800, 1000 quilômetros por dia. Vou parando e descansando onde quiser”, ilustra. Nos planos, estão novas viagens ao Nordeste e uma primeira visita ao Chile. Com a vantagem de dormir na própria cama.

por José de Arimathéia