Interdisciplinaridade no Curso de Medicina


Profa. Sandra Odebrecht Vargas Nunes Docente do Depto. de Clínica Médica/CCS nunes@inbrapenet.com.br


Dizia Platão que "a cura de inúmeras doenças é desconhecida dos médicos de Hellas, pois eles ignoram o conjunto...E isto porque uma parte jamais poderá estar bem a menos que o todo esteja bem... Este é o grande erro dos nossos dias no tratamento do corpo humano". Decorridos mais de dois mil anos depois de Platão e ainda a maioria das escolas médicas funciona com o sistema de divisão de disciplinas, as quais constituem departamentos estanques, com pouca interdisciplinaridade. A crescente especialização observada entre os médicos tende a fragmentar mais ainda o cuidado dispensado ao paciente. O especialista aprofunda cada vez mais no que diz respeito ao órgão de sua especialidade, e cada vez menos no que diz respeito ao indivíduo como um todo.
A visão biopsicossocial do ser humano resulta de três áreas interligadas : corpo, mente e mundo externo. A área do corpo compreende a morfologia, fisiologia, bioquímica, histologia, células, tecidos, órgãos e sistemas. A área da mente compreende os estados de consciência e inconsciência, os pensamentos e as emoções. A área do mundo externo compreende os fatores ecológicos (micróbios, alimentos, drogas, habitação) e por fatores etológicos, aqueles outros fatores relativos aos costumes e hábitos do indivíduo e estão relacionados com o meio cultural, social e econômico, representados pela família, escola, religião, convivência social e profissão. Formar um profissional na área da saúde é conceber um ser humano, tanto na saúde como na doença e como um ser biopsicossocial. Esta perspectiva desemboca em um tipo de proposta metodológica interdisciplinar, em que diferentes e complexas disciplinas são utilizadas de forma integrada. O método interdisciplinar trata das interações e dos métodos comuns às diferentes especialidades, para levar em consideração a totalidade do ser humano e das circunstâncias que o rodeiam, para termos uma compreensão mais ampla dos processos de adoecer.
O currículo de medicina da Universidade Estadual de Londrina mudou do método tradicional baseado em divisão de disciplinas e em ciclos básicos, clínico e profissionalizante, centrado no professor, para o método PBL (Problem Based Learning - Aprendizado Baseado em Problemas), que é um método de ensino centrado no aluno, que tem o PROBLEMA como o elemento motivador do estudo e integrador do conhecimento.
Em um currículo estruturado no método do PBL o tema é a estrutura mínima do conteúdo programático. O currículo PBL se estrutura através de módulos temáticos que se constituem de temas afins e é interdisciplinar, e não disciplinar e o aprendizado é orientado para a comunidade (problemas de saúde, doenças de maior prevalência, melhora das habilidades de comunicação social, etc).
Um módulo temático não é uma disciplina, mas contém temas de várias disciplinas, necessárias para o entendimento de uma situação/resposta fisiológica ou patológica. O aluno deverá recursar a várias disciplinas para desenvolver um tema. O tema é proposto pela Comissão de Currículo, ouvidos os departamentos e as disciplinas. O especialista participa desta fase de desenvolvimento do currículo e da proposição dos temas. Os temas são apresentados aos alunos nos grupos tutoriais através de problemas. O problema propõe situações para discussão que levam ao desenvolvimento do tema para o qual ele foi proposto. No grupo tutorial o trabalho se dá em pequenos grupos de até oito alunos e um tutor, que é o facilitador do processo de aprendizagem, com sessões de duas horas de duração, duas vezes por semana. Considere o seguinte problema do módulo de Agressão e Defesa : "Clara, 17 anos, tem estado muito deprimida nos últimos meses devido não conseguir controlar seu ganho de peso (tem 1,64m e pesa 75kg) e, na última semana ingeriu 20 comprimidos de fenobarbital 0,10g (conseguiu os comprimidos em casa - seu irmão de 12 anos toma estes comprimidos pois sofre de convulsão). Ela deu entrada no Pronto-Socorro do HU inconsciente, com depressão respiratória, bradicardia e hipotensão. Na UTI recebeu cuidados cardiovasculares e respiratórios e seu sangue foi alcalinizado com bicarbonato de sódio. Melhorou após 72 horas. Nas primeiras 36 horas apresentou grande flutuação do nível de consciência, permanecendo ora mais alerta, ora mais deprimida. Após a alta da UTI apresentou sonolência por vários dias. Na alta hospitalar Clara foi orientada para um acompanhamento psiquiátrico".
Neste caso, há integração entre o conhecimento clínico (psiquiatria, neurologia, clínica médica) e ciências básicas (farmacologia, sociologia).
Todo médico deve ter não apenas um conhecimento operante sobre o estado clínico do paciente, mas também estar familiarizado com o modo como a psicologia individual e o meio sócio-cultural do indivíduo afetam sua condição médica. Ver apenas o sintoma do paciente é estar apenas examinando a parte visível do iceberg, portanto o Titanic poderá afundar.
O método interdisciplinar ensina aos estudantes que deverão lidar com seres humanos como um todo e não como um conjunto de órgãos suscetíveis às doenças.

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Interdisciplinaridade e Odontologia

Profa. Lizete Leitão de Souza Docente do Estágio Supervisionado em Odontologia

A educação é hoje concebida como um fator de mudança, renovação e progresso.
O planejamento educacional é um processo contínuo que se preocupa com o "para onde ir" e "quais as maneiras adequadas para chegar lá", tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades, quanto as do indivíduo.
A universidade atual visa o preparo de pessoas de mentalidade flexível e adaptável para enfrentar as rápidas transformações do mundo. Pessoas que aprendam a aprender e, consequentemente, estejam aptas a continuar aprendendo sempre. Portanto, o currículo de hoje deve ser funcional. Deve promover não só a aprendizagem de conteúdo e habilidades específicas, mas também fornecer condições favoráveis à aplicação e integração desses conhecimentos.
O planejamento curricular é uma tarefa multidisciplinar e interdisciplinar, que tem por objeto organização de um sistema de relações lógicas e psicológicas dentro de um ou vários campos do conhecimento, de tal modo que se favoreça ao máximo o processo de ensino-aprendizagem. O tema interdisciplinaridade tem tido uma recorrência em diferentes esferas da educação, na investigação científica e na produção acadêmica, nas políticas educacionais e na ação pedagógica propriamente dita.
A interdisciplinaridade tem surgido frequentemente como uma panacéia para os males educacionais. Seu principal alvo de crítica se torna o "espírito de especialização", que impossibilita o diálogo entre as disciplinas curriculares e impede o desencadear de ações pedagógicas conjuntas.
A atitude interdisciplinar compreende a organização e o desencadeamento de uma ação pedagógica que busca promover uma coordenação racional de ações múltiplas, por um princípio orientador que compatibilize processos de cognição e ação pedagógica. Trata-se pois de promover a integração de diversas disciplinas a fim de possibilitar a aquisição de um saber unitário e articulado.
A atitude interdisciplinar aparece então como ação técnica que orienta a inter-relação das disciplinas curriculares, apresentando-as de forma psicológica e originando um paradigma construtivista de conhecimento. Partindo-se da constatação de que a estrutura curricular é segmentada e quantificada, fator decisivo na produção do fracasso acadêmico, diferentes pesquisadores propõe a atitude interdisciplinar na esfera da ação pedagógica como estratégia de superação desse fracasso.
Sem dúvida, tal estrutura curricular explicita os limites asfixiantes da compartimentalização e o artificialismo de várias disciplinas que, desse modo, tornam-se presas fáceis da armadilha da especificidade e discursam sobre uma mesma realidade com base unicamente em seus pressupostos particulares.
Formulada com base nos paradigmas sociológico e psicológico, a atitude interdisciplinar surge como valor positivo, que deve presidir a ação pedagógica e objetiva uma polêmica funcionalização do currículo escolar. Promovendo-se a crítica à especialização do conhecimento, propõe um saber unitário e articulado, capaz de apreender a totalidade, conceituada como todo funcional, anterior ao indivíduo, em que as partes se inter-relacionam através de uma dinâmica permanente.
O conjunto de procedimentos didáticos tem por finalidade operar o diálogo entre as disciplinas : dissipa-se o espírito de especialização na medida em que o acadêmico sintetiza os conhecimentos oriundos das diferentes disciplinas, produzindo-se assim uma percepção do todo relacional.
Atualmente, o novo currículo do Curso de Graduação em Odontologia da UEL vem sendo estudado e planejado por educadores com visão multidisciplinar, através de programas de qualidade, sem repetição de conteúdos, com diálogo e integração entre as disciplinas curriculares, básico e profissionalizantes, e ações pedagógicas conjuntas, visando uma estreita ligação entre a formação e o exercício profissional.

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Interdisciplinaridade e trabalho em equipe em discussão no curso de Enfermagem

Mara Lúcia Garanhani Bogado Coordenadora do Colegiado do Curso de Enfermagem e-mail: bogado@ccs.br

O curso de Enfermagem da UEL tem, atualmente , a duração de 4 anos, em período integral, com 4.051 horas, e entrada anual de 60 vagas.
O currículo em vigor, implantado em 1996, é resultado da quarta reforma curricular e representa um avanço significativo quando comparado às reformas anteriores. Isto se deu em razão de vários acontecimentos no período entre 1992 a 1995, que estimularam e viabilizaram um processo coletivo de construção do currículo, com maior compreensão das bases filosóficas da educação.
Assim, este currículo passou pela definição de duas propostas: uma, que defendia mudanças mais radicais no curso - a implantação do currículo integrado já a partir de 1996 e outra, que propunha uma espécie de currículo de "transição", como estratégia para melhorar as condições necessárias à viabilização do currículo integrado como próxima mudança curricular para o ano 2000. Neste período já os temas interdisciplinaridade e trabalho em equipe foram muito discutidos por todos os professores do curso de enfermagem, enfermeiros de serviços, alunos e alguns representantes da comunidade.
A implementação do internato de enfermagem no último semestre, o início das atividades em campos de estágio desde o 1º ano do curso, projetos de ensino e de extensão que contemplam ações integradas entre professores do ciclo básico e profissionalizante com participação ativa dos alunos, são exemplos de atividades concretas do curso em direção ao trabalho interdisciplinar e multiprofissional.
Mas mesmo com estas experiências, que muito tem contribuído para a melhoria do ensino no curso de enfermagem da UEL, permanece a análise de que se tratam de atividades ainda pontuais e necessitam ser transformadas em experiências curriculares efetivas e constantes. Além disso, o ensino de enfermagem enfrenta atualmente um grande desafio: preparar profissionais que possam responder às rápidas mudanças no setor saúde. Necessitamos portanto, de profissionais enfermeiros que possam ser capazes de pensar criticamente; tomar decisões; serem líderes; planejar estrategicamente para contínuas mudanças; administrar e gerenciar serviços de saúde; atuar em equipes multiprofissionais de saúde e com diferentes grupos populacionais e aprender permanentemente.
Somando-se a esta necessidade , estamos vivenciando um momento no cenário nacional das discussões em torno da nova Lei de Diretrizes e Bases de Educação Brasileira, aprovada em 1996, e que desencadeou o processo de elaboração das novas diretrizes curriculares que substituirão os antigos currículos mínimos. Isto tem propiciado, dentro do âmbito da profissão de Enfermagem, grandes questionamentos e reflexões por parte de professores e alunos.
No mesmo sentido, tem exercido influência o prosseguimento da implantação dos princípios da reforma sanitária e da organização do SUS, assim como, a crescente elevação do nível de organização e mobilização das comunidades.
Desta forma, a opção atual do Curso de Enfermagem da UEL é pela implantação do currículo integrado, tendo a metodologia da problematização como método de ensino. As disciplinas serão substituídas por unidades de ensino com experiências de aprendizagem organizadas a partir de grandes áreas temáticas, contemplando a interdiciplinaridade e apoiadas no perfil e competências profissionais, estruturadas a partir de uma rede de conhecimentos científicos, técnicos e práticos, com princípios e conceitos chaves relevantes.
Outros temas que não se restringem às unidades de ensino - aprendizagem (temas transversais) devem ser contínua e gradativamente trabalhados ao longo do currículo (ética, trabalho em equipe multiprofissional, comunicação, investigação científica, articulação ensino-pesquisa-extensão, trabalho com a comunidade, etc).
A integração de conteúdos reduz também a fragmentação das experiências de aprendizagem e implica em um trabalho conjunto de docentes dos ciclos básico e profissionalizante. Em linhas gerais, o currículo pretendido para implantação no ano 2000 caracteriza-se pela integração de conteúdos, inexistência de divisões entre o ciclo básico e clínico, abordagem de temas transversais ao longo do curso e adoção da metodologia da problematização.
Para a concretização desta proposta deparamo-nos com grandes desafios: falta de domínio destes "novos" conceitos como: interdiciplinaridade, trabalho multiprofissional, metodologias ativas de ensino - aprendizagem, formação de lideranças, novos cenários de práticas, comunicação, trabalho em rede, etc... por parte do corpo docente e discente da universidade entre outros fatores.
Assim, estão programadas para o 1º semestre de 1999, cinco oficinas de trabalho coletivo e muito trabalho nos seis grupos de redação para o novo currículo: (1) Fundamentos Filosóficos e Sócio-Culturais do currículo; (2) Fundamentos psicológicos do currículo; (3) Perfil do Enfermeiro e objetivos educacionais do curso de enfermagem; (4) Pólo teórico - metodológico e pólo técnico-metodológico; (5) Avaliação e (6) Análise do currículo atual (1996) com destaque para os projetos e práticas já existentes de integração interdisciplinar e trabalho multiprofissional. Estes grupos contarão com apoio da assessoria do Colégio Equipe de São Paulo, assessoria específica de Enfermagem e do grupo gestor do Novo Currículo de Enfermagem
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As oficinas coletivas programadas são as seguintes:

As formas de organização para a construção coletiva deste projeto são: grupo gestor do novo currículo, grupos de redação, assessoria externas (Colégio Equipe de São Paulo e assessorias específicas de Enfermagem) e a socialização das propostas através de oficinas coletivas de trabalho.
No 2º semestre do 1999 se iniciará o período de elaboração das unidades de ensino da 1º série a serem implantadas à partir do ano 2000. Acreditamos que todo processo de transformação curricular que envolve, como estas, mudanças de paradigmas e de práticas profissionais, depende muito da adesão e inserção das pessoas, da disponibilidade para o novo, da coragem de abandonar o antigo, e sabemos que este processo é gradativo e dinâmico.
Mas, almejamos um futuro melhor para nossa sociedade, e temos consciência do papel fundamental de formador de recursos humanos que a Universidade possui e portanto estamos empenhados em tentar ser melhores e mais responsáveis com a nossa função social.

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A interdisciplinaridade e a Fisioterapia

Maria Aparecida do Carmo Assad Docente do Departamento de Fisioterapia/CCS Mestranda em Educação

"A interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende,simplesmente vive-se, exerce-se, e por isso exige uma nova pedagogia" (Fazenda, 1993)

Entendemos que o pensar e o atuar coletivamente de forma interdisciplinar deve acontecer em todo o processo de formação do profissional Fisioterapeuta.
Na saúde e na doença, as dimensões que englobam a população participante do atendimento na estrutura do serviço revelam aspectos econômicos, sociais, físicos, culturais, políticos e ideológicos, que formam um contexto onde estão colocadas situações de saúde versus doença. Assim sendo, os profissionais Fisioterapeutas necessitam ter uma formação holística, que os permita pensar e agir, não somente direcionados pela área de atuação, mas interrelacionando-se com outras áreas.
A atuação interdisciplinar e multiprofissional tem sido um dos objetivos do Centro de Ciências da Saúde da UEL. Dessa forma, o Curso de Fisioterapia tem por finalidade, através de seu Departamento, a operacionalização destes objetivos, dentro de suas peculiaridades.
Sua intenção é formar um profissional Fisioterapeuta preparado para contribuir com a sociedade em que vivemos. O currículo do Curso de Fisioterapia que está em construção e que deverá entrar em funcionamento no ano 2000, deve ser integrado à realidade, de forma a permitir uma reflexão da teoria e prática, formando um profissional com base geral sólida e específica, com visão global do paciente, inserido em um contexto social específico.
A perspectiva interdisciplinar presente no currículo pretende desenvolver no profissional a ser formado o compromisso e a sensibilidade com o ser humano, valorizando-o e respeitando-o integralmente.
Esses fatores implicam em um currículo com classificação dos conhecimentos necessários, que darão origem a uma árvore de conhecimentos encadeados e relacionados em uma rede ou "teia", com critérios para divisão das unidades curriculares que não implique separar os aspectos biológicos dos sociais e psicológicos, a Fisioterapia preventiva da curativa e reabilitadora, o normal do patológico.
Essa proposta significa também pensar na integração de professores e de alunos. Significa inteirar-se do que cada um realiza no seu dia-a-dia, respeitando-se as diferenças individuais, a pluralidade de pontos de vista. É como procurar afinar os instrumentos de uma orquestra para que a sinfonia seja harmônica.
A interdisciplinaridade é ainda uma forma de compreender e modificar o mundo. Estamos no momento de passagem da crítica para a ação. Vivemos na Fisioterapia, um momento crítico, de uma nova proposta no contexto de ensino-aprendizagem, com o objetivo de estabelecer as metas traçadas pelo projeto pedagógico que está subsidiando a nova estrutura curricular a ser implantada no curso, pois é papel da Universidade ser um fomentador de uma nova visão da sociedade.
Porém, ela não pode ficar só na crítica pela crítica. É dever do Ensino Superior apresentar também propostas, soluções e encaminhamentos para as questões sociais que estamos vivendo. Mas também não adianta ficar só na proposta, é preciso que eles avancem um passo a mais, caminhando da proposta à ação.
A contribuição da perspectiva interdisciplinar é perceber que, se existem formas várias de conhecimento, a explicação da realidade não pode ser feita a partir de uma forma de conhecimento eleito como dominante.
Cabe à educação ajudar o homem em todos os aspectos. Essa é a sua finalidade, como deveria ser a finalidade de todas as ações humanas voltadas para a formação do homem profissional Fisioterapeuta.
A interdisciplinaridade propõe uma orientação para ao estabelecimento da esquecida síntese dos conhecimentos, não apenas pela integração de conhecimentos produzidos nos vários campos de estudo, de modo a ver a realidade globalmente, mas, sobretudo, pela associação dialética entre dimensões polares como por exemplo teoria e prática, ação e reflexão, generalização e especialização, ensino e avaliação, meios e fins, conteúdos e processos, indivíduo e sociedade.
Segundo LUCK (1995,p.55), a prática interdisciplinar, no contexto de sala de aula, implica na vivência do espírito de parceria, de integração entre teoria e prática, conteúdo e realidade, objetividade e subjetividade, ensino e avaliação, meios e fins, tempo e espaço, professor e aluno, reflexão e ação, dentre muitos dos múltiplos fatores integrantes do processo pedagógico.
A interdisciplinaridade, no campo da Ciência, corresponde à necessidade de superar a visão fragmentada de produção do conhecimento, como também de articular e produzir coerência entre os múltiplos fragmentos que estão postos no acervo de conhecimentos da humanidade. Trata-se de um esforço no sentido de promover a elaboração de síntese que desenvolvam a contínua reposição da unidade entre as múltiplas representações da realidade (Ibid, p. 59), características que desenvolver-se-ão na nova proposta curricular do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina.
O objetivo da interdisciplinaridade é, portanto, o de promover a superação da visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade, ao mesmo tempo resgatando a centralidade do homem na realidade e na produção do conhecimento, de modo a permitir ao mesmo tempo uma melhor compreensão da realidade e do homem como um ser determinado e determinante. (Ibid, p.60)

BIBLIOGRAFIA
FAZENDA, I.C. A Integração e Interdisciplinaridade no Ensino Brasileiro: Efetividade ou Ideologia? SP, Loyola, 1993.
GALVAN, C.C. et all. Projeto Educativo do Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina. Londrina: Ed. UEL, 1998.
JAPIASSÚ, H. Interdisciplinaridade e Patologias do Saber. RJ., Imago, 1976.
LUCK, H. Pedagogia Interdisciplinar, Petrópolis, RJ, Vozes, 1994.


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Interdisciplinaridade e Trabalho Multiprofissional no Curso de Farmácia

Profa. Sandra Regina Quintal Carvalho Coordenadora do Colegiado do Curso de Farmácia

O profissional da área da saúde deve ter uma formação que lhe permita a associação e integração de conhecimentos, bem como desenvolvimento de habilidades de trabalho em equipe e atuação multiprofissional.
Isso porque o indivíduo (paciente) é um ser único e será afetado como um todo, independente do tipo de tratamento focal ou não que necessita. Para que isto ocorra, o profissional deve, desde sua formação, ter esta correlação dos diversos conteúdos e a oportunidade de estar colocando os mesmos em prática.
O curso de Farmácia da UEL tem trabalhado com a questão da interdisciplinaridade realizando diversas atividades que levam a uma maior aproximação das disciplinas que compõem seu currículo. Isso tem sido feito través de reuniões por séries e interséries, para que as disciplinas conheçam as necessidades umas das outras frente ao perfil do farmacêutico que se deseja formar e para que haja uma ligação direta entre o conteúdo desenvolvido e sua aplicação nas séries subsequentes; projetos que unem disciplinas básicas, básicas e clínicas, clínicas; projetos de discussão de casos clínicos, tanto na área de Farmácia quanto de Análises Clínicas.
As discussões de casos clínicos reais desenvolvidos e observados na prática do dia-a-dia nos estágios em farmácia pública, hospitalar e de atenção comunitária à saúde envolvem os conhecimentos de forma integrada e possibilita a visão do paciente como um todo.
Isso oportuniza não apenas a integração dos conhecimentos com a visão real da utilização dos medicamentos e suas interações, mas também o desenvolvimento de habilidades tais como ética profissional, trabalho em grupo, comunicação, organização e sistematização de condutas, dentre outras.
O mesmo acontece com os casos das Análises Clínicas, que também conta com profissionais não farmacêuticos. O trabalho em equipes multiprofissionais está sendo realizado em diversos projetos, desde a área básica até a clínica, e, principalmente nos estágios onde o aluno atua com os demais profissionais.
Nestes estágios também estão sendo desenvolvidos novos caminhos para a atuação e fortalecimento do farmacêutico nas equipes multiprofissionais.
Um exemplo disso é a presença deste profissional como parte integrante das Unidades Básicas de Saúde ou nas equipes hospitalares para o desenvolvimento da assistência farmacêutica. Entendemos que o conhecimento fragmentado e o isolamento profissional não atendem às necessidades atuais e que a mudança destes paradigmas só podem ocorrer se a formação do profissional contemplar a interdisciplinaridade, o trabalho multiprofissional e o respeito por todos os profissionais que atuam na atenção ao paciente.
Assim, as experiências que estão ocorrendo no curso de Farmácia subsidiarão a reforma curricular com vistas a um currículo integrado.

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