Sistema de Acompanhamento e Avaliação
do Projeto Político-Pedagógico
Entender o currículo como expressão do projeto pedagógico do curso, e o ensino-aprendizagem como um processo de construção do
conhecimento, exige da instituição, do professor e do estudante, diferentes capacidades e competências. Neste contexto, a avaliação desempenha um
papel fundamental e deve ser colocada a serviço da qualidade pedagógica do curso de graduação.
A avaliação deve buscar a melhoria das condições de ensino-aprendizagem e ser capaz de identificar as potencialidades e fragilidades do curso.
Deve ser um contínuo repensar sobre a formação, estimulando a mudança e a transformação, tendo como referência a excelência técnica e a relevância
social do curso, bem como sua capacidade de dar respostas à sociedade.
O Curso de Medicina da UEL tem uma extensa trajetória avaliativa. Desde a implantação do currículo integrado, ocorrida em 1998, com a
preocupação de acompanhar permanentemente seu desenvolvimento, foram criadas as comissões de apoio ao Colegiado:
1. Comissão de avaliação
2. Comissão de acompanhamento curricular
3. Comissão de capacitação docente
4. Comissão de apoio psicopedagógico discente e docente
Durante a implantação do currículo integrado, a Comissão de Avaliação desenvolveu diversos processos avaliativos envolvendo estudantes,
docentes e coordenadores de módulos ou séries, utilizando-se de técnicas como a auto-avaliação, a avaliação inter-pares, a avaliação pelo professor,
testes de progresso, entre outros:
• Avaliação do módulo (estudante e coordenador)
• Avaliação de palestras (estudante)
• Avaliação de problemas (tutor e estudante)
• Avaliação do tutor pelo estudante
• Teste de progresso
• Acompanhamento de retenção e evasão de estudantes
Estes instrumentos integram a avaliação do processo de ensino-aprendizagem e permitiram, embora de forma assistemática, o
acompanhamento do currículo durante a formação da 1ª turma.
Os testes de progresso, realizados até 2003 sob a modalidade opcional, em virtude dos seus resultados e da compreensão sobre sua
importância como indicador da qualidade do curso, passarão a ser obrigatórios. Além de orientarem o estudante em relação a seu desempenho
pessoal e sua progressão cognitiva através do curso, permitem à comissão de avaliação verificar a progressão da turma como um todo, ano a ano e
comparativamente em relação às demais turmas e em relação ao desempenho de outras escolas médicas em exames de caráter geral realizados no
país. Os questionamentos recebidos em alguns eventos científicos sobre a validade de seus resultados, já que a sua não obrigatoriedade resultava em
um caráter amostral aos seus participantes e que este, sem controle, poderia configurar uma amostra viciada (somente ao melhores alunos fariam o
teste), fez com que se decidisse pela obrigatoriedade do mesmo a partir deste ano.
Em função das dificuldades de organização e sistematização das informações, decorrentes da falta de integração das avaliações realizadas até então, e respaldados pelas diretrizes curriculares nacionais, onde estão previstos o acompanhamento e a avaliação do próprio curso, e não apenas do
processo de ensino-aprendizagem, sentiu-se a necessidade de ampliação do modelo adotado, de forma a dar conta da avaliação do curso como um
todo.
A partir de 2003, com base na experiência acumulada, implantou-se o Sistema Integrado de Avaliação do Curso de Medicina - SIAMed,
cujos princípios encontram-se em consonância com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES, proposto pelo INEP/MEC. O novo
modelo envolve todos os implicados no processo (estudantes, professores, gestores, técnicos, pesquisadores, instituição e sociedade), tendo como
centro o cumprimento da finalidade essencial do curso que é a formação humana, não só no sentido técnico e profissional, mas também social, ético
e político. É um processo democrático que exige participação e interação, e é constituído por ações articuladas e complementares, organizadas com
intencionalidade essencialmente educativa, portanto, formativo e construtivo.
O novo modelo de avaliação engloba o conjunto das dimensões que compõem o curso (projeto político-pedagógico; desenvolvimento da
abordagem pedagógica e processo de ensino-aprendizagem; desenvolvimento das práticas nos cenários de ensino-aprendizagem; desenvolvimento do
corpo docente; desenvolvimento do corpo discente; desenvolvimento do corpo técnico-administrativo; infra-estrutura; desenvolvimento da gestão; e
acompanhamento de ex-alunos) e possibilita a identificação das suas potencialidades e fragilidades na opinião dos diversos segmentos envolvidos.
Tem por objetivo avaliar o curso de medicina englobando aspectos pedagógicos, estruturais e administrativos, visando o estabelecimento de um plano
de ação para o aprimoramento do curso. Com a ampliação do foco da avaliação, estão sendo ouvidos novos atores e introduzidos novos instrumentos
de avaliação, somados aos instrumentos que já vinham sendo utilizados. A nova proposta é composta de três fases: Avaliação Interna, Avaliação
Externa e Reavaliação.
• Avaliação Interna
Consiste no levantamento e organização dos dados quantitativos e qualitativos do Curso, com a participação efetiva das comunidades interna
(estudantes, professores, gestores e funcionários) e externa local (profissionais da saúde, serviços de saúde, pacientes, lideranças comunitárias); o que
resulta em um conjunto estruturado de informações, possibilitando a construção coletiva de um retrato fiel e atualizado do Curso. É constituída de
nove dimensões que representam o seu universo. Cada uma delas é composta por indicadores que, analisados a partir de três estágios possíveis de
desenvolvimento (descritores do indicador), bem como à luz dos resultados dos demais instrumentos de avaliação já aplicados, resultarão na avaliação
interna do Curso.
• Avaliação Externa
Representa um exame de fora para dentro da instituição. É complementar à Auto-avaliação e deve ser realizada a partir de sua consolidação
junto à comunidade interna, ouvindo pares, egressos, lideranças, organizações e demais representações da sociedade organizada, sobre o conjunto de
informações que representam a totalidade do Curso.Aqui estarão inclusos os demais Mecanismos de Avaliação e/ou controle, propostos pelos
Governos Estadual e Federal, bem como de Programas de Fomento.
• Re-avaliação e Meta-avaliação
Retomada crítica do processo desenvolvido a partir dos resultados das avaliações interna e externa, com vistas às tomadas de decisões, em
busca do aperfeiçoamento do Curso, através do desenvolvimento das seguintes etapas:
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Discussão dos processos internos e externos no âmbito da comunidade acadêmica; |
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Reflexão sobre as potencialidades e as fragilidades do Curso, identificadas a partir dos processos avaliativos; |
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Encaminhamento de propostas de mudança, tendo como pano de fundo o passado avaliado e o futuro projetado para o Curso; |
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Reexame das práticas avaliativas e adequação do Sistema de Avaliação. |
Durante o ano de 2003, foi possível realizar as ações previstas na Avaliação Interna que abrangem o levantamento e organização dos dados
quantitativos e qualitativos do curso, com a participação da comunidade interna (estudantes, professores, gestores e funcionários).
Dando seqüência ao processo de avaliação, em 2004, pretende-se concluir e consolidar a Avaliação Interna, e, no início de 2005, as demais
etapas previstas para a Avaliação Externa e para a Re-avaliação, completando assim o primeiro ciclo de avaliação do curso de medicina, que será
desenvolvido de forma contínua e permanente.
Os resultados do SIAMed, bem como o acompanhamento sistemático da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, serão objetos de
discussão no Fórum do Curso de Medicina, evento realizado a cada dois anos, que conta com a participação efetiva de professores, estudantes e
gestores. O Fórum, que se encontra em sua 6ª edição, foi criado com o objetivo de obter uma visão de conjunto da evolução do curso e da percepção
de todos a respeito dos pontos falhos e dos pontos positivos, permitindo que o mesmo seja constantemente debatido e aperfeiçoado.
Assim como previsto no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES, em relação à Instituição como um todo, no SIAMed encontram-se presentes os mesmos objetivos em relação ao curso de medicina: conhecer suas fortalezas e seus problemas; tratar da adequação do
seu trabalho em relação às demandas sociais; e identificar o grau de envolvimento e compromisso de seus professores, estudantes e servidores,
sempre tendo como meta o seu aprimoramento.
A avaliação é um instrumento de compromisso de qualquer instituição de educação consciente de sua responsabilidade pública. Sendo
realizada nesta perspectiva, permite correções de rota durante o percurso, abrangendo todos os aspectos que compõem o curso e, mais do que isso,
permite dar respostas à sociedade.
No decorrer da implantação do currículo integrado, buscou-se construir um sistema de avaliação capaz de aprofundar os compromissos e
responsabilidades sociais do curso. Trata-se, portanto de um processo formativo que produz relações sociais de conhecimento, compreensão e
julgamento do curso e da instituição.
A avaliação neste contexto não se detém exclusivamente em seus produtos e resultados, mas é reconhecida e valorizada por sua rica
contextualização, suas especificidades, e seus efeitos a médio e longo prazo, tornando-se necessária e indispensável; não somente contrapondo
quantidade x qualidade, mas visando orientar a política universitária para um saber sobre si mesma e para a análise do significado de seu trabalho na
sociedade, bem como a prestação de contas aos cidadãos.
Somente por meio de um processo avaliativo ético e responsável, o curso de medicina poderá fazer uma reflexão crítica e participativa sobre
suas ações, conhecendo seu efetivo papel no engajamento com a comunidade, e sua real contribuição para o seu desenvolvimento. Daí a importância
da avaliação como força transformadora, garantindo o caráter público da universidade, em busca de sua excelência técnica e relevância social.
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