QUALIDADE DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
Maria do Carmo Lourenço Haddad[1]
RESUMO
A qualidade de vida no trabalho é o maior
determinante da qualidade de vida. Vida
sem trabalho não tem significado...
Assim sendo, o trabalho passou a ocupar um lugar central na vida do
homem, mais especificamente o trabalho organizacional. Através da revisão da
literatura, verifica-se que não há uma definição consensual a respeito de
qualidade de vida no trabalho, mas sim várias correntes ou abordagens. Porém
esse tema esta freqüentemente associado à melhoria das condições físicas do
servidor, programas de lazer, estilo de vida, instalações organizacionais
adequadas, atendimento a reivindicações dos trabalhadores e ampliações do
conjunto de benefícios. Entretanto, o atendimento a essas necessidades,
envolvem custos adicionais, o que já é obstáculo para a implantação de
programas de qualidade de vida no trabalho. Considerando os aspectos acima
mencionados, este estudo tem por objetivos refletir sobre o processo de
trabalho da enfermagem e propor a implantação de um Programa Interdisciplinar de Apoio ao Trabalhador de Enfermagem que promova e mantenha a qualidade de vida no
trabalho.
Palavras-chave: Qualidade de vida, sofrimento no trabalho,
interdisciplinariedade, administração em enfermagem
LIFE QUALITY OF NURSING
PROFESSIONALS
Life quality at work is a major determinant in life quality itself. Life with no work has no meaning...
Therefore, work has been playing a central role in man's life, the organizational
work more specifically. Through a literature review, one can see that there is
no consensual definition concerning life quality at work, but in fact, several
trends and approaches. Nevertheless, this theme is frequently associated to the
improvement of physical conditions of the worker, leisure activities, life
styles, adequate organizational facilities, workers' demands, and expansion of
benefits. However, meeting these needs implies additional costs which is an
obstacle for the implementation of life quality programs at work. Considering
the topics above, this study aims at a reflection upon the process of the
nursing practice and at proposing the implementation of an Interdisciplinary Program for
Assisting the Nursing Worker in order to promote and maintain life
quality at work.
Key words: life quality, work hardship/suffering at
work, interdisciplinarity, nursing administration
INTRODUÇÃO
O desenvolvimento científico, tecnológico e social tem alterado substancialmente o modo de viver do homem moderno, criando novas necessidades a serem atendidas. Entre outras, o homem necessita de reconhecimento e prestígio social e é através do exercício profissional e nas relações de trabalho onde ele dispõe de maiores oportunidades para atender a essas necessidades.
A sociedade vive uma época de transição. As modificações que ocorrem nos tempos modernos, são precedidas por tumultuosas variações nos costumes do indivíduo e no estabelecimento de suas prioridades pessoais e organizacionais. Mas nunca as mudanças foram tão rápidas, tão radicais e desconcertantes como agora, podendo acarretar problemas físicos e psicológicos.
E, decorrente desse descompasso entre a velocidade das mudanças e a capacidade humana de adaptar-se a elas, surgem reações como a insatisfação generalizada com o modo de vida, o tédio, a angústia, as ambigüidades, a ansiedade, a despersonalização, a frustração e a alienação no trabalho, entre outras. Esses fatores constituem-se na essência de mecanismos de autodefesa do homem, evidenciando assim a deterioração da qualidade de vida nos dias atuais.
A qualidade de vida no trabalho é o maior determinante da qualidade de vida. Vida sem trabalho não tem significado... Assim sendo, na sociedade contemporânea, o trabalho passou a ocupar um lugar central na vida do homem, mais especificamente o trabalho organizacional. De acordo com HANDY (1978) apud MORENO (1991), o trabalho dever ser visto como parte inseparável da vida humana, talvez sendo hoje a organização o principal meio para o homem adquirir sua identidade. O trabalho também é determinante de aspectos vitais como status e identidade pessoal.
FERNANDES (1988) afirma que não há uma definição consensual a respeito de qualidade de vida no trabalho, mas sim várias correntes ou abordagens. Porém esse tema esta freqüentemente associado à melhoria das condições físicas do servidor, programas de lazer, estilo de vida, instalações organizacionais adequadas, atendimento a reivindicações dos trabalhadores e ampliações do conjunto de benefícios. Entretanto, o atendimento a essas necessidades, envolvem custos adicionais, o que já é obstáculo para a implantação de programas de qualidade de vida no trabalho.
No entender de WALTON (1973), qualidade de vida no trabalho visa proteger o empregado e propiciar-lhe melhores condições de vida dentro e fora da organização.
Segundo este autor para que a qualidade de vida no trabalho seja alcançada é necessário que o trabalhador tenha:
· COMPENSAÇÃO ADEQUADA E JUSTA
Refere-se ao salário justo ou à adequação entre o trabalho e o pagamento nos seus diversos níveis relacionados entre si.
· CONDIÇÕES DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO
Os trabalhadores não devem ser expostos a condições físicas e psicológicas que sejam perigosas ou a horários excessivos de trabalho que sejam prejudiciais a saúde
· OPORTUNIDADE IMEDIATA PARA A UTILIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE HUMANA
Para que os trabalhadores possam usar e desenvolver suas habilidades e capacidades são necessários: autonomia no trabalho, utilização de múltiplas habilidades, informação e perspectiva de crescimento profissional, realização de tarefas completas e planejamento das atividades.
· OPORTUNIDADE PARA CRESCIMENTO CONTÍNUO E SEGURANÇA
É importante que o trabalhador tenha a possibilidade de autodesenvolvimento, aquisição de novos conhecimentos e perspectivas de sua aplicação prática, oportunidades de promoções e segurança no emprego.
· INTEGRAÇÃO SOCIAL NA ORGANIZAÇÃO
Para haver um bom nível de integração social é necessário que o ambiente de trabalho seja sem preconceitos, de senso comunitário, fraca estratificação, existência de mobilidade ascendente e franqueza interpessoal.
· CONSTITUCIONALISMO NA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
São as normas que estabelecem os direitos e deveres dos trabalhadores. Os aspectos mais significativos versam sobre a privacidade, a liberdade de expressão ( o diálogo livre) e o tratamento justo em todos os assuntos.
· TRABALHO E O ESPAÇO TOTAL DA VIDA
O trabalho, muitas vezes, absorve parte da vida extra-organização do empregado, afetando consideravelmente o seu tempo de dedicação à família, tempo de lazer e sua convivência comunitária.
· A RELEVÂNCIA SOCIAL DA VIDA NO TRABALHO
Os trabalhadores, através de seus empenhos e comprometimentos, esperam que, socialmente, a instituição não deprecie o seu trabalho e conseqüentemente a sua profissão.
Considerando os aspectos acima mencionados, este estudo tem por objetivos refletir sobre o processo de trabalho da enfermagem e propor a implantação de um Programa Interdisciplinar de Apoio ao Trabalhador de Enfermagem que promova e mantenha a qualidade de vida no trabalho.
A enfermagem é
uma profissão essencialmente feminina, relacionada com o ato de cuidar do
outro. Vários autores, citados por BORSOI & CODO (1995), reforçam que o
cuidar em enfermagem é uma extensão das atividades realizadas na manutenção da
família.
SILVA (1986)
descreve que etimologicamente a expressão enfermagem vem da palavra nurse que originalmente significa aquela
que nutre, que cuida de crianças e que por extensão, a que assiste o doente. O
termo enfermeira, em português, é designado para as pessoas que cuidam dos infirmus, ou seja, daqueles que não
estão firmes, como crianças, velhos e doentes.
Com estas
características, o trabalho de enfermagem, foi executado até o final da idade
média, por religiosas, viúvas, virgens e nobres, tendo como objetivo central a
caridade. As revoluções sociais ocorridas neste período, incorporaram também
neste grupo, as prostitutas que buscavam a própria salvação prestando cuidados
aos enfermos. Denota-se ainda, a desvalorização do trabalho de cuidar ao
relegá-lo a este grupo social.
Na Europa, até o
início do século XIX, o cuidar de enfermos não era reconhecido como trabalho
que exigia treinamento específico para sua realização. A partir do ano de 1854,
este cuidado começa a ter caráter profissional com Florence Nightingale, nobre
dama inglesa, que serviu na Criméia
como voluntária nos hospitais militares
ingleses em pleno campo de guerra, dando início a profissionalização da enfermagem. Após seis anos, em
reconhecimento ao trabalho de Nightingale o governo inglês financiou a
organização da primeira escola para formação de trabalhadores de enfermagem, já
estabelecendo separação entre enfermeiras administradoras e prestadoras de
cuidados (SILVA, 1986).
No Brasil, somente nas últimas décadas do século XIX, é que inicia-se o processo de profissionalização da enfermagem. A partir dos anos 30, com a mudança no sistema econômico, o crescente aumento de doentes que necessitavam de internações e a formalização da enfermagem como profissão, concretiza-se a entrada maciça das mulheres nas instituições de saúde, confirmando que este trabalho tem característica essencialmente feminina. Nesta época, a caridade continuava tendo sua importância, mas as diferenças fundamentais foram as exigências de treinamento e remuneração no ato de cuidar (SILVA, 1986).
Segundo BORSOI & CODO (1995), o cuidado tornado profissão deixa de ser executado pela afetividade expressa e espontânea, seja na forma de carinho ou na forma de agressão, como pode ocorrer no ambiente doméstico. O trabalhador de enfermagem é preparado para auxiliar na recuperação do doente ou assisti-lo em sua dor. Ao remunerar o cuidado prestado, espera-se qualidade e para isso é necessário além do domínio das técnicas media-lo por afetividade, nem que a expressão deste afeto seja uma representação necessária, pois um dos códigos internalizados pela enfermagem é a devoção e generosidade em relação ao paciente.
O trabalho da
enfermagem direcionado para um cuidar holístico do paciente, necessitou ser
fragmentado para melhorar a organização e a produtividade do serviço,
especializando os funcionários em executores de funções específicas. Assim,
enquanto um trabalhador realiza cuidados básicos de alimentação e higiene do
doente, outro administra os medicamentos e outro faz os curativos, etc..
Segundo BORSOI & CODO (1995), esta é uma divisão de trabalho semelhante ao
de uma linha de montagem na qual quem circula é o funcionário. Desta forma, os
trabalhadores se transformam em força de trabalho a ser objetivada e comprada
de acordo com a demanda da função. Por decorrência, o trabalho de cuidar
adquire o caráter de mercadoria, que produz efeitos danosos na saúde e no
psiquismo do trabalhador.
Este aspecto
introduz elementos contraditórios na relação de cuidado do paciente. Enquanto
na prestação de cuidados se exige expressão de afeto na medida em que, na
relação constante com o paciente, lida-se com sua dor, sua dependência e sua
intimidade. Por outro lado, esse cuidado é mediado por pelo menos três fatores
complicantes e interrelacionados, tais como: o salário, que é a fonte de
sobrevivência do trabalhador; o fantasma da perda do paciente, seja por alta ou
por óbito; e a obrigação de se mostrar frente ao paciente sempre como
profissional, não lhe sendo permitido expressar preferências ou recusas,
atração ou repulsa, por este ou aquele paciente.
Os trabalhadores
de enfermagem prestam cuidados aos doentes, independente de serem adultos,
crianças, homens, mulheres, se sua doença é visível ou não, se é contagiosa ou não, enfim o cuidado tem
que ser prestado considerando as especificidades dos quadros clínicos, mas não
a aparência ou o caráter do paciente enquanto pessoa, o que significa que não
deve haver discriminação de espécie alguma. O doente seja ele quem for, deve
ser cuidado como alguém que busca
alívio e ou cura para seu sofrimento. Para isso a enfermagem tem que prestar
seus cuidados com técnicas adequadas a fim de tornar a estadia do paciente no
hospital curta e o menos dolorosa possível.
A dinâmica do
trabalho de enfermagem não leva em consideração os problemas do trabalhador, onde cada indivíduo enfrenta no seu
cotidiano dificuldades de toda ordem, fora e dentro do trabalho, mas se espera
do profissional que ele jamais expresse junto ao paciente seus dissabores, ao
contrário , espera-se serenidade. O modelo de mãe cuidadosa e abnegada é
introjetado pela enfermagem.
DEJOURS et al. (1994) afirmam que "a organização do trabalho exerce sobre o homem uma ação específica,
cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições emerge um sofrimento
que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de
projetos, de esperanças e de desejos e uma organização do trabalho que os
ignora."
BELAND e PASSOS
(1978) consideram que as necessidades pessoais do trabalhador de enfermagem e
sua ansiedade em relação às circunstâncias com as quais ele se defronta
geralmente prejudicam o tipo de atendimento que ele sabe dar e que gostaria de
poder dar, podendo causar um sofrimento no profissional.
HADDAD et al.
(1985), em estudo realizado em um hospital oncológico constataram um despreparo
emocional do trabalhador de enfermagem no cuidado com pacientes terminais. A
equipe sentia-se ansiosa diante da aplicação de tratamentos agressivos, como a
quimioterapia que provoca efeitos colaterais intensos e visíveis. Relataram que
os profissionais não sentiam-se preparados para enfrentar a morte do paciente,
expressando sentimentos de impotência profissional. Muitas vezes a equipe de
enfermagem identifica-se com os pacientes temendo que lhes possa acontecer a
mesma coisa e sentem-se culpados quando o paciente morre.
Observa-se
que a formação do profissional de
enfermagem, seja a nível de graduação ou auxiliar está baseado na teoria de
TAYLOR (FIGUEIREDO et al., 1996), exigindo dos trabalhadores uma dedicação
extremada, pois constantemente estão sendo "vigiados" pelos médicos
ou outros profissionais da equipe de saúde, por administradores, e até mesmo
por seus colegas e pelos doentes ou seus familiares.
Estudos
desenvolvidos por DEJOURS et al. (1994), criticam o modelo taylorista e
demonstram que é a organização do trabalho a responsável pelas conseqüências
penosas ou favoráveis para o funcionamento psíquico do trabalhador.
Esse autor
afirma que contra o sofrimento, a ansiedade e a insatisfação se constroem
sistemas defensivos. Apesar de vivenciado, o sofrimento não é reconhecido. Se a função primeira dos sintomas de defesa,
é aliviar o sofrimento, seu poder de ocultação volta-se contra os seus
criadores. Pois sem conhecer a forma e o conteúdo desse sofrimento, é difícil
lutar eficazmente contra ele. Ressalta, ainda, que a ideologia defensiva é
funcional a nível do grupo, de sua coesão, de sua coragem e é importante também
a nível do trabalho, pois é a garantia da produtividade.
Verifica-se
também, que na maioria das instituições a preocupação com a ergonomia, ainda é
pequena, tornando o trabalho da enfermagem ainda mais penoso. Muitas vezes, a
planta física é inadequada ao tipo de atendimento, os equipamentos e materiais
de uso diário não favorecem a execução da técnica, há falta de material para
realização da tarefa, o número de trabalhadores é reduzido para quantidade e características
dos pacientes, entre outras dificuldades.
Nos dias atuais, o número de pacientes que necessitam de tratamento especializado aumentou, exigindo uma assistência mais eficaz e também com o desenvolvimento tecnológico da medicina, observa-se que o trabalho da enfermagem tem causando um grande desgaste físico e psicológico aos trabalhadores. Esses, na maioria das vezes não sabem nem identificar o que está acontecendo, mas reagem faltando ao serviço, em muitos casos agridem os próprios pacientes ou seus colegas e superiores, não seguem as normas e rotinas da empresa. Em decorrência da sobrecarga de trabalho e do sofrimento psíquico podem apresentar doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus, distúrbios ortopédicos, neurológicos, gástricos e psicológicos, etc..
Acrescido a
esses fatores, encontram-se as dificuldades sócio-econômicas enfrentadas por
estes profissionais, pois como o
trabalho de enfermagem recebe baixa remuneração, torna-se necessário que
o funcionário mantenha duas jornadas de trabalho para poder sustentar sua
família e ter uma vida digna. Neste contexto, há uma baixa qualidade de vida no
trabalho da enfermagem, além de aumentar os riscos de iatrogênias e
acidentes no trabalho.
PROGRAMA INTERDISCIPLINAR DE APOIO AO TRABALHADOR DE ENFERMAGEM
Para que a
equipe de enfermagem possa prestar uma assistência adequada aos pacientes, com
seus sentimentos de impotência profissional, ansiedade e medo minimizados,
necessita receber apoio e acompanhamento de uma equipe interdisciplinar
composta por profissionais especializados, que possa auxiliar o servidor na
identificação do seu sofrimento e no entendimento da dinâmica do trabalho de
enfermagem, além de desenvolver programas de prevenção e manutenção da
qualidade de vida no trabalho.
Considerando
todos os aspectos acima levantados e fundamentados em nossa prática
profissional, onde somos responsável por 850 trabalhadores de enfermagem que
atuam num hospital escola, e também nas dificuldades no enfrentamento de todos
os problemas sociais e administrativos, que se assemelham aos que foram
descritos, acreditamos que somente um trabalho efetivo e desenvolvido por uma
equipe interdisciplinar, poderá estabelecer estratégias que minimizem os
problemas vividos tanto pelos trabalhadores que atuam diretamente com o
paciente como também por administradores dos serviços de enfermagem.
Sugerimos que
esta equipe seja constituída por psicólogo organizacional, assistente social,
enfermeiro, pedagogo, sociólogo e médico, com a finalidade de desenvolver um
Programa de Apoio ao Trabalhador de Enfermagem. Outros profissionais poderão
ser incluídos na equipe de acordo com as necessidades da instituição. Ressaltamos que este grupo deverá ser
administrativa e politicamente vinculado a divisão de recursos humanos da
instituição.
ZANELLI (1994)
descreve que existem várias possibilidades de abordar os problemas que ocorrem
no contexto do trabalho, ressaltando que alguns autores insistem em demarcar a
área do psicólogo, do sociólogo, do administrador, do antropólogo, do
economista, etc. É óbvio que na prática, esses limites apresentam-se retóricos
e uma multiplicidade de fatores intercruzam-se na produção dos fenômenos
organizacionais, em qualquer de seus níveis. O campo dos estudos
organizacionais faz parte do domínio de profissionais provenientes de diversas
disciplinas científicas, muitas vezes com considerável superposições entre si.
Fundamentados
nos estudos realizados por WALTON (1983), MOTTA (1991), ZANELLI (1994) e HADDAD
(1998), esta equipe poderá realizar as seguintes atividades:
. recrutamento,
seleção e colocação de pessoal - considerando que o profissional de
enfermagem desempenha uma atividade que pode provocar desgastes físicos e
psíquicos é necessário que esta equipe recrute e selecione profissionais com
capacidades técnicas, físicas e emocionais compatíveis com as necessidades do
serviço.
No processo de
seleção deverão ser utilizados instrumentos que avaliem a capacidade técnica do
candidato como também sua capacidade emocional em enfrentar situações críticas.
Poderá ser utilizado além dos instrumentos escritos, a técnica de entrevista
coletiva, onde será avaliado a resposta do candidato em comparação aos demais.
É muito
importante o acompanhamento do indivíduo durante o período de integração e
adaptação à instituição, proporcionando oportunidades de familiarizá-lo com os
objetivos, filosofia e dinâmica do hospital.
. avaliação
de desempenho - este processo é considerado complexo e desagradável
para muitos gerentes, mesmo quando existem sistemas de avaliações padronizados.
Portanto é necessário que esta equipe prepare e acompanhe os avaliadores,
destacando sempre que o importante é o relacionamento entre chefia e
subordinado, e que uma boa comunicação e parceria no trabalho, aumentam a
produtividade e qualidade do serviço. Quando o trabalhador é ouvido e
respeitado pelos seus superiores, com certeza realiza suas tarefas com mais
envolvimento e responsabilidade.
. treinamento
e desenvolvimento de pessoal - esta é uma das atividades mais
importantes para serem desempenhadas por esta equipe. O treinamento em serviço
é o processo pelo qual não só se capacita o profissional tecnicamente, mas
principalmente desenvolve nos trabalhadores o senso crítico e a motivação para
a gerência participativa. Através deste processo poderão ser partilhadas as
responsabilidades e as dificuldades encontradas no serviço.
É importante ressaltar que os treinamentos deverão ser realizados durante o horário de trabalho, através de metodologias ludo-pedagógicas e dinâmicas de grupos, possibilitando a participação ativa do trabalhador. Os conteúdos deverão sempre ser determinados em conjunto com chefias e funcionários.
Nesta atividade é muito importante refletir juntamente com o servidor sobre as políticas trabalhistas e a necessidade de desenvolverem-se profissionalmente, estimulando-os a freqüentarem outros cursos que os capacite para promoção dentro da instituição ou mesmo fora dela.
. desenvolvimento
organizacional, solução de problemas e tomada de decisões - Implantar
programas de desenvolvimento e acompanhamento permanente dos líderes de equipe
é extremamente necessário. Uma das principais solicitações dos gerentes é: "qual estratégia posso utilizar para
manter a equipe motivada e produtiva para o trabalho, diante de salários tão
baixos?", entre outros questionamentos.
O relacionamento entre subordinados e chefia é uma das principais causas de baixa qualidade de vida no trabalho. Portanto, esta equipe deverá assessorar os gerentes no desenvolvimento e manutenção das relações interpessoais.
Deverá também, prepará-los tecnicamente para implantação de modernas práticas de administração dos serviços e principalmente incentivá-los e apoiá-los a assumirem riscos.
Esta equipe poderá desenvolver programas de Qualidade Total, através de ferramentas que analisem as opiniões dos cliente externos e internos, propondo através da administração colegiada, estratégias que garantam a qualidade da assistência e a qualidade de vida dos trabalhadores.
. desenvolvimento de programas de qualidade de vida no trabalho - desenvolver programas para promoção e manutenção da qualidade de vida no trabalho, conscientização do trabalhador sobre lazer e preparação dos funcionários para aposentadorias, além de manter programas de promoção e manutenção da saúde mental no trabalho, tais como o “Momento da palavra” ( FRANÇA e RODRIGUES, 1997).
É também função
da equipe, avaliar as condições ambientais e materiais nos locais de trabalho,
solicitando melhorias nas instalações físicas e emitindo pareceres sobre os
materiais e equipamentos hospitalares.
Várias pesquisas
demonstram que os profissionais da saúde não usam equipamentos de segurança individual como forma de negar
a natureza insalubre do seu trabalho.
Portanto, é necessário que a equipe realize campanhas de conscientização sobre
a necessidade do uso desta proteção a sua saúde (SCHENEIDER, 1994; MIRANDA,
1998).
Identificar os
setores que produzem estresse no trabalhador. Avaliar a produtividade,
rotatividade e absenteísmo, os custos psicológicos e fisiológicos do trabalho.
Realizar avaliação e acompanhamento do trabalhador com disfunções psicológicas.
. identificação
da cultura organizacional - a dinâmica do trabalho da enfermagem é
muito complexa, portanto a equipe interdisciplinar deve estar em sintonia com a
administração e desenvolver mecanismos para identificar a motivação no
trabalho, as atitudes pessoais frente a determinados assuntos, a satisfação
pessoal, moral e clima no trabalho, formação e funcionamento dos grupos no
trabalho, resolução de conflitos interpessoais e intergrupais, desenvolvimento
de lideranças, avaliação das estruturas do poder, etc..
Este processo é uma das atividades mais complexas e demoradas que deve
ser desenvolvido pela equipe, mas que trará muitos subsídios para os
administradores, principalmente das instituições públicas que mudam de
governantes a cada 4 anos.
Recomendamos que
as instituições que pretendam desenvolver este estudo exijam que os novos
administradores analisem profundamente a cultura
do hospital antes de iniciarem seu trabalho.
A equipe poderá recorrer aos estudos realizados por SHINYASHIKI (1995), que fez um amplo levantamento bibliográfico sobre cultura organizacional. O autor destaca que no processo de mudança da cultura, o conceito de socialização torna-se cada vez mais útil para o administrador planejar ações que podem ser tomadas no nível das políticas de recursos humanos para manter ou desencadear um processo de mudança. Entretanto, reconhece o quanto o processo de socialização é complexo para identificar os pressupostos básicos que sofrem influência pela socialização ocorrida na empresa, enfatizando que o processo de planejamento de mudanças precisa ser mediado pela cultura organizacional.
Para atingir seus objetivos é necessário que a equipe interdisciplinar de apoio ao trabalhador de enfermagem, trabalhe com harmonia, desenvolvendo suas atividades através da identificação dos problemas, do planejamento e avaliação constante dos resultados obtidos, sempre em conjunto com a administração e trabalhadores.
ZANELLI (1996)
ressalta que “nascemos e morremos dentro
das organizações de trabalho. As
sociedades se organizam em função do trabalho. O trabalho é um núcleo definidor do sentido da existência
humana. Toda a nossa vida é baseada no trabalho, portanto, devemos torná-lo o
mais prazeroso possível.”
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MARIA DO CARMO
LOURENÇO HADDAD
Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina, Diretora de Enfermagem do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná, Mestre em Histologia pela UEL.
Endereço: Rua Alagoas, 1526, Edifício Campos Elíseos,
Londrina-Pr., Fone: (43) 324 6030 – CEP 86020-360 – E-mail: haddad@sercomtel.com.br
2000 - NÚCLEO DE
ESTUDOS EM SAÚDE COLETIVA/NESCO
Rua Robert Kock, 60
Anexo ao Hospital Universitário Regional Norte do Paraná
Vila Operária – Londrina – Paraná - CEP 86037-010
Fone: (43) 337-5115
Fax: (43) 337-6612
e-mail: espacosaude@ccs.br
[1] Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Norte do Paraná, Universidade Estadual de Londrina e Diretora de Enfermagem do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná.
Endereço:
Rua Alagoas, 1526, Edifício Campos Elíseos, Londrina-Pr., Fone: (43) 324 6030 –
CEP 86020-360 – E-mail: haddad@sercomtel.com.br